A Política de Educação do Brasil vem
sofrendo adaptações em todos os aspectos em busca de uma educação de qualidade
que venha beneficiar a todos os envolvidos no processo e principalmente os
alunos. Busca-se que todos tenham direito a educação de forma igualitária e que
tenham as mesmas possibilidades de inserção social.
As
pessoas com surdez também estão passando por este processo de adaptação e
conquista de seu espaço na sociedade e no decorrer da história existem alguns
embates políticos e epistemológicos que divididem-se entre gestualistas e oralistas.
Já existiram diversos tipos de identidades dadas aos surdos tais como: cultura
surda, identidade surda, línguas surdas e sujeito surdo, tendo, do outro lado,
os seus oponentes: os ouvintes dominadores.
Sabemos que independente da
nomenclatura dada as pessoas surdas, não podemos considerá-las deficientes e
sim apenas como uma pessoas com perdas sensoriais, mas com todo um potencial cognitivo
e físico capaz de superar as barreiras que impossibilitam a comunicação sem
adaptações.
Segundo
Damásio(2010):
Acreditarmos na nova
Política Nacional de Educação Especial, numa perspectiva inclusiva, e não coadunamos
com essas concepções que dicotomizam as pessoas com ou sem deficiência, pois,
antes de tudo, por mais que diferentes nós humanos sejamos, sempre nos
igualamos na convivência, na experiência, nas relações, enfim, nas interações,
por sermos humanos. Não vemos a pessoa com surdez como
o deficiente, pois ela não o é, mas tem perda sensorial auditiva, ou seja,
possui surdez, o que a limita biologicamente para essa função perceptiva. Mas,
por outro lado, há toda uma potencialidade do corpo biológico humano e da mente
humana que canalizam e integram os outros processos perceptuais, tornando
essa pessoa capaz, como ser de consciência, pensamento e linguagem.
As
discussões sobre a língua utilizada para a comunicação de pessoas surdas
continua, mas o mais importante é colocar o aluno frete a um campo de
comunicação e interação amplo recheado de possibilidade podendo ser gestualista
ou oralista, mas que possibilite maneiras de inserção do aluno no meio social.
Daí, termos certeza
de que os processos perceptivos, lingüísticos e cognitivos das pessoas com
surdez poderão ser estimulados e desenvolvidos, tornando-as sujeitos capazes,
produtivos e constituídos de várias linguagens, com potencialidade para
adquirir e desenvolver não somente os processos visuais-gestuais, mas também
ler e escrever as línguas em seus entornos e, se desejar, também falar. Isso
nos faz pensar num sujeito com surdez não reduzido ao chamado mundo surdo, com
a identidade e a cultura surda, mas numa pessoa com potencial a ser estimulado
e desenvolvido nos aspectos cognitivos, culturais, sociais e lingüísticos, pois
a concepção de pessoa com surdez descentrada se caracteriza pela diferença, que,
sob a força de divisões e antagonismos, leva a pessoa descentrada a ser
deslocada e a assumir diferentes posições e identidades, Hall (2006).
O bilinguismo adotado como uma nova
forma de comunicação para pessoas surdas é uma estratégia de explorar de forma
ampla as potencialidade existentes em cada pessoas extraindo a peculiaridade
especifica existente em cada um.