quarta-feira, 12 de março de 2014

A EDUCAÇÃO ESCOLAR PARA PESSOA SURDA


                   A Política de Educação do Brasil vem sofrendo adaptações em todos os aspectos em busca de uma educação de qualidade que venha beneficiar a todos os envolvidos no processo e principalmente os alunos. Busca-se que todos tenham direito a educação de forma igualitária e que tenham as mesmas possibilidades de inserção social.
                   As pessoas com surdez também estão passando por este processo de adaptação e conquista de seu espaço na sociedade e no decorrer da história existem alguns embates políticos e epistemológicos que divididem-se entre gestualistas e oralistas. Já existiram diversos tipos de identidades dadas aos surdos tais como: cultura surda, identidade surda, línguas surdas e sujeito surdo, tendo, do outro lado, os seus oponentes: os ouvintes dominadores.
Sabemos que independente da nomenclatura dada as pessoas surdas, não podemos considerá-las deficientes e sim apenas como uma pessoas com perdas sensoriais, mas com todo um potencial cognitivo e físico capaz de superar as barreiras que impossibilitam a comunicação sem adaptações.

                   Segundo Damásio(2010):

Acreditarmos na nova Política Nacional de Educação Especial, numa perspectiva inclusiva, e não coadunamos com essas concepções que dicotomizam as pessoas com ou sem deficiência, pois, antes de tudo, por mais que diferentes nós humanos sejamos, sempre nos igualamos na convivência, na experiência, nas relações, enfim, nas interações, por sermos humanos. Não vemos a pessoa com surdez como o deficiente, pois ela não o é, mas tem perda sensorial auditiva, ou seja, possui surdez, o que a limita biologicamente para essa função perceptiva. Mas, por outro lado, há toda uma potencialidade do corpo biológico humano e da mente humana que canalizam e integram os outros processos perceptuais, tornando essa pessoa capaz, como ser de consciência, pensamento e linguagem.


                   As discussões sobre a língua utilizada para a comunicação de pessoas surdas continua, mas o mais importante é colocar o aluno frete a um campo de comunicação e interação amplo recheado de possibilidade podendo ser gestualista ou oralista, mas que possibilite maneiras de inserção do aluno no meio social.

Daí, termos certeza de que os processos perceptivos, lingüísticos e cognitivos das pessoas com surdez poderão ser estimulados e desenvolvidos, tornando-as sujeitos capazes, produtivos e constituídos de várias linguagens, com potencialidade para adquirir e desenvolver não somente os processos visuais-gestuais, mas também ler e escrever as línguas em seus entornos e, se desejar, também falar. Isso nos faz pensar num sujeito com surdez não reduzido ao chamado mundo surdo, com a identidade e a cultura surda, mas numa pessoa com potencial a ser estimulado e desenvolvido nos aspectos cognitivos, culturais, sociais e lingüísticos, pois a concepção de pessoa com surdez descentrada se caracteriza pela diferença, que, sob a força de divisões e antagonismos, leva a pessoa descentrada a ser deslocada e a assumir diferentes posições e identidades, Hall (2006).

                   O bilinguismo adotado como uma nova forma de comunicação para pessoas surdas é uma estratégia de explorar de forma ampla as potencialidade existentes em cada pessoas extraindo a peculiaridade especifica existente em cada um.